Rafa Lombardino, tradutora e diretora-presidente da Word Awareness

  1. Você estudou tradução ou interpretação ou alguma área semelhante?

Eu comecei a trabalhar como tradutora em 1997, quando dava aulas de inglês. Na época, eu estava fazendo a transição entre ensino médio e faculdade, que só iniciei em 1999. Eu me formei como jornalista com Bacharelado em Comunicação Social e foi só depois de eu concluir o curso superior que uma faculdade local passou a oferecer o Bacharelado em Tradução. Mesmo assim, o jornalismo me deu uma boa base para continuar trabalhando como tradutora e participei de vários projetos que envolviam a tradução de notícias e de comunicação corporativa. Em 2005, já nos EUA, comecei a estudar no curso de extensão da Universidade da Califórnia em San Diego. O programa só abrange tradução entre inglês e espanhol, mas vi como uma oportunidade de fortalecer os meus conhecimentos na minha terceira língua. Três anos depois de receber o certificado profissional, passei a dar aulas nesse mesmo programa.

  1. Fala um pouco sobre a experiência laboral em tradução ou interpretação.

No início, era bem informal. Alguém aparecia na escola de idiomas onde eu dava aula e perguntava se um professor de inglês estava disponível para traduzir algum documento pessoal ou escolar. Como estava juntando dinheiro para começar a faculdade, aceitei vários projetos com esse perfil para complementar a minha renda. Na faculdade, um dos professores mantinha uma agência de tradução com a esposa e, percebendo o meu interesse pela área, me escalou como autônoma para alguns projetos de tradução do inglês para o português. Foi com esse casal que eu aprendi que traduzir era uma profissão, não uma atividade paralela. Quando me mudei para a Califórnia, decidi abrir o meu próprio negócio e, desde então, trabalho em período integral com tradução.

  1. Quais são as suas áreas de especialização?

Por causa do meu diploma em jornalismo, eu me especializo em comunicação empresarial, traduzindo desde o material distribuído internamente pelas empresas para os seus funcionários como também o que é divulgado para o público. Antes de entrar para a faculdade, cursei o que na época a gente chamava de “colegial técnico”, que consistia de uma carga horária adicional em uma área em particular além do programa normal de ensino médio exigido pelo governo. Assim sendo, eu me formei como técnica em Processamento de Dados e, apesar de ter abandonado a área de programação depois de me formar, continuo interessada por tudo relacionado à informática e traduzo bastante material na área, desde a localização de websites e de software até relatórios detalhados sobre as tendências das áreas de criptografia e segurança da informação.

  1. Falemos sobre o marketing. Que métodos de marketing lhe ajudaram a conseguir clientes? Quais são as recomendações que você tem para outros colegas?

O que eu sempre digo para os colegas e os alunos da UCSD Extension é que não podemos apostar todas as nossas fichas em um único lugar. É importante diversificar, tanto do ponto de vista dos serviços oferecidos como dos canais onde você oferece tais serviços. Dessa maneira, eu faço o possível para entrar em contato com clientes diretos e mostrar para eles como a tradução profissional pode contribuir com o sucesso da empresa deles. Quando o cliente em potencial já tem essa necessidade identificada, recebo indicações dos vários sites de oferta de emprego onde criei um perfil, então entro em contato para apresentar os serviços que tenho a oferecer.

Porém, outros dois aspectos importantes contribuem para o marketing da minha empresa. Em primeiro lugar, foi a decisão de investir na educação contínua e fazer os exames de tradução da Associação Americana de Tradutores (ATA). Os clientes que já estão bem informados quanto ao trabalho do tradutor procuram no diretório da ATA alguém que se encaixe no perfil dos projetos que eles têm para traduzir, então recebo muitos contatos de quem encontrou o meu nome na lista de tradutores certificados nas combinações inglês para português e português para inglês. Em segundo lugar, ao participar dos eventos da ATA, acabei conhecendo muitos tradutores competentes que acabam me indicando para os seus clientes por não trabalharem na minha área ou por atenderem uma combinação de idiomas diferente ―ou até mesmo por estarem ocupados com outros projetos e não conseguirem encaixar mais serviço na agenda. É o famoso “networking”, que dá certo quando você estabelece uma relação saudável com os colegas de profissão, o que propicia naturalmente essa troca de recomendações.

Rafa Lombardino é diretora-presidente da rede Word Awareness e autora do livro “Tools and Technology in Translation“, baseado em uma de suas aulas e prestes a ser lançado no Brasil.

One thought on “Rafa Lombardino, tradutora e diretora-presidente da Word Awareness

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s